domingo, 7 de dezembro de 2025

Estereótipos, racismos e preconceitos

 

Segundo a reportagem, ele pediu para que ninguém apareça com o celular na mão e também para que não usem roupas "comuns" durante as gravações: "Limpa a cultura de vocês aí", disse o apresentador, que nessa hora estava sentado ao lado da cantora Anitta, outra visitante –momento esse em que ela parece visivelmente constrangida.

Em resposta à nota da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Luciano Hulk alegou "decisão da direção de arte dentro do contexto de um set de filmagem, só isso".

Povos originários nâo vivem mais no mundo de 525 anos atrás e têm todo o direito de utilizar tecnologias e confortos atuais e a obrigação de fazer valer sua cultura e manter suas tradições utilizando todos os meios midiáticos disponíveis além de se valer de recursos necessários para defender seus direitos reagndo ao genocídio e usurpação da qual foram vítimas, não com flexas e tacapes, mas com os meios persuassivos modernos e necessários para esta defesa.

Estereotipar estas pessoas, é apresentá-las como seres inferiores e incapazes. Minha solidariedade à APIB e repúdio a tentativas racistas e preconceituosas na tentativa de estereotipar quem quer que seja.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Solução para o transporte público

 

Em entrevista ao Estado de Minas, Raul Lycurgo, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Setra), de Belo Horizonte, capital mineira declarou:


"No contrato atual, o ônus recai sobre o usuário pagador. Isso significa que quem vai pagar é o usuário que subir no ônibus naquele momento. Só que a infraestrutura básica deve ser remunerada, quer você use ou não. No Brasil, o serviço de ônibus é rateado só por quem usa, que é, infelizmente, o mais pobre. É um mar de gente que está sendo beneficiada direta ou indiretamente, mas quem paga o sistema? Só quem sobe no ônibus."


Ele defende a "modernização" do custeio do transporte público através de subsídios e outras formas de diluir o probelma da mobilidade por quem não se utiliza do transporte coletivo e argumenta que todos se beneficiam de um sistema de transporte eficaz. E é verdade.


É verdade também que as empresas de transporte coletivo, se privadas visam lucro. Em um sistema liberal capitalista o que vale é o máximo de lucro pelo que é entregue. A forma sugerida nos diz que a coletividade contribuirá para que sejam distribuídos polpudos dividendos aos acionistas. Seria justo dentro da lógica do sistema?


Poderia argumentar que deve existir um órgão público que fiscalize um lucro "aceitável" pelo que será entregue. E existe. Os municípios têm um órgão fiscalizador que regula as tarifas aplicadas e o fornecimento do contratado. Mas sempre existe a possibilidade de inflar os custos apresentados de forma a aumentar os lucros, onerando ainda mais o erário. E, como estamos falando de bilhões, um pequeno percentual dos valores envolvidos é capaz de "comprar" pessoas que fiscalizam.


Por outro lado, temos o comprador. Quando compramos um pacote de sabão em pó ou um achocolatado, escolhemos uma entre várias marcas. Mesmo considerando que a estratégia dos grandes conglomerados é eliminar a concorrência pelo poder econômico comprando as marcas que se tornam populares pelo diferencial da qualidade, ainda temos uma margem de escolha. Mas qual é a possibilidade de escolha de alguém que precisa tomar um ônibus de sua casa até seu local de trabalho? Não temos como escolher porque a nos é oferecido, na maior parte das vezes, uma única opção. A possibilidade apresentada é utilizarmos uma outra modalidade de transporte que será sempre mais cara.


Continuo defendendo que a forma mais eficaz de resolver o fornecimento de bens e serviços monopolizados é garantindo a concorrência ou o poder público assumir o fornecimento de forma a garantir direitos, agora sim, com a possibilidade de diluir os custos entre toda a sociedade.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Assédio Moral e Imbecilidade Sistêmica

As condutas abusivas e o assédio moral no trabalho - Diário do Aço

Uma das características do desgoverno de Bolsonaro é o assédio moral decorrente de patrulhas ideológicas que perseguem e ameaçam servidores públicos, conforme noticia hoje a Folha de São Paulo.


É uma média de 1,2 denúncias por dia durante este desgoverno, acumulando 680 denúncias.
Ser antifascista, por exemplo, é motivo para ser perseguido pelo governo conforme admitiu o Ministro da Justiça à GloboNews ao não negar a existência de dossiê "secreto" produzido por sua pasta que lista 579 servidores públicos. Se o governo é contra o antifascismo, deve ser a favor do fascismo, diz a lógica.
Além das perseguições pessoais, existe ainda o "assédio institucional" que coordena ataques a órgãos públicos feitas por gestores em posições hierárquicas superiores.
Devido a aversão pela ciência e pelo humanismo, vemos a administração pública sendo lançada ao lodaçal da imbecilidade sistêmica.





sábado, 11 de julho de 2020

Ou derrubamos Borba Gato ou seremos governados por ele

Ontem ouvi do Fernando Gabeira sobre a derrubada da estátua de Borba Gato, a ponderação de que é necessário estudar melhor a atuação dos bandeirantes porque foram vítimas de fake news dos jesuítas por frequentemente atacar missões jesuíticas para capturar índios e que, na realidade podem não ter sido tão maus assim.

Só pelo fato dos ataques a indígenas em missões, dou mais crédito aos jesuítas do que aos bandeirantes. De mais a mais, ele foi assassino fugitivo e negociou seu perdão tendo se tornado fiscal da coroa portuguesa e seu grande feito foi ter enriquecido às custas de muita violência como na guerra dos emboabas sendo escravocrata convicto e assassino contumaz.

Não nos esqueçamos que pela falta de coragem no julgamento e derrubada de mitos, o Brasil hoje está nesta precária situação.

Ou derrubamos Borba Gato ou seremos governados por ele.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Deus e poder na visão neopetencostal

A "Teoria da Prosperidade", de origem neopetencostal, foi importada dos Estados Unidos e se baseia em trechos da Bíblia Sagrada, tido por eles como o único livro verdadeiro, através do qual, os ensinamentos destes trechos são pinçados para justificar seus dogmas, interpretados pelos líderes religiosos que consideram a religião como um contrato individual entre Deus e homens e se manifesta através do "Espírito Santo" como um dom carismático, assim entendido do carisma (do grego khárisma,atos, graça; favor, benefício, através do latim charísma,àtis, dom da natureza, graça divina), no qual a confissão (exame de consciência no qual o penitente se propõe a reparar o pecado e não mais pecar) e a fidelidade através da obediência à hierarquia e pagamento do dízimo são a parte do crente tendo, em contrapartida, a graça concedida através da cura, do alívio do sofrimento e da concessão de riquezas na parte que cabe a Deus.

Um outro ponto é a autoridade do líder religioso, que recebe de Deus o dom de perdoar e ser o instrumento de concessão de benemerências. Este dom dá a ele a capacidade de interpretar a "palavra de Deus", sem questionamentos, em uma relação de subordinação que durará enquanto o crente estiver naquela denominação, correndo o risco de perder as benemerências caso escolha o líder ou a denominação errados. Embora se considerem cristãos, a relação entre o líder religioso (pastor, bispo, etc) e o crente é a mesma do sumo sacerdote ou profeta e o povo de Israel na antiguidade, considerando-o como autoridade sacerdotal, o que explica a relação entre neopetencostais e o judaísmo fundamentalista. É importante frisar que os judeus são tolerantes e se relacionam com outros povos e outras religiões que não o judaísmo, justamente pelas sua experiências, vítimas de segregação. O mesmo não ocorre com os neopetencostais. Vemos que o Deus dos neopetencostais é vingativo e tem sede de poder, assim como no velho testamento. A bondade de Deus é dirigida apenas aos membros da religião e os infiéis terão um castigo cruel, tal como na inquisição católica.

Importante observar que o empoderamento do crente se dá em caráter individual e não coletivo, tornando-se mérito do crente sua relação com Deus. Quanto mais fé, mais contrita a confissão, maior a contrapartida concedida por Deus. Vemos aqui o conceito de meritocracia nesta relação, ou seja, se alguém sofre, é por sua culpa, já que não houve a expiação (cobrir, expiar, reconciliar, pacificar - a expiação significava, no antigo Israel, tomar um cordeiro e sacrifica-lo para cobrir o pecado - neste caso temos o conceito de Cristo como o cordeiro de Deus). Não existe piedade para o infiel.

Embora, para os neopetencostais, a relação entre o homem e Deus seja individual, todos os crentes pertencem a uma coletividade, que subjugará o mundo através do "poder de Deus" que restaurará o poder de Israel, no conceito existente no Velho Testamento, que serve de alegoria para tais tipos de afirmação, como a reconstrução do Templo de Salomão, por exemplo. 

Dentro deste conceito, nada mais natural do que a tomada do poder político em uma tentativa de instalar uma teocracia com base nos ensinamentos neopetencostais. E aí está o perigo da instituição de um fundamentalismo religioso, quando temos a meritocracia como princípio e o conceito de infiel à todo aquele que não se enquadre como o "povo escolhido" e que não pratique confissão que expie seus pecados.

Muito cuidado, pois estamos a meio caminho de instalar no Brasil uma teocracia fundamentalista onde os infiéis morrerão pela mão dos servos de Deus e os servos de Deus morrerão pelo isolamento do resto do mundo.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

O combate à indolência e malandragem brasileiras

Assisto ao noticiário e vejo que as raças inferiores continuam sendo consideradas indolentes e malandras e, por isso mesmo combatidas.

A ideia do brasileiro amistoso e pacífico é mentirosa e baseia-se no "princípio científico" do darwinismo social, conceito moldado por pessoas como Francis Galton a partir dos estudos de Charles Darwin, seu primo, no final do século XIX.

Já não é de hoje que sabemos que o Brasil tem maioria negra ou mestiça devido aos quatrocentos anos de escravidão. Esta maioria, entretanto, não se reflete nas elites provenientes da Europa. E o negro, pelos "estudos científicos" da época eram considerados "raça inferior". Sabemos (embora alguns teimem ignorar) que sequer existe mais de uma raça humana e que os indivíduos têm diferentes características conforme a região de origem, caminhando para uma homogenização devido à mobilidade facilitada.

No século XIX existia a intenção de "branqueamento" do brasileiro em um projeto de sociedade "higienizada" (ainda tentam isso por incrível que pareça) moral e culturalmente através da miscigenação, ideia abominada pelos europeus que consideravam a mistura de raças uma degeneração.

Toda esta baboseira que se pretendia "científica", fez com que o tratamento dado aos escravos fosse diferente do que foi dado aos imigrantes europeus, que chegavam ao Brasil com emprego garantido embora e, por isso mesmo, mal remunerados mas sob regime de colonato, isto é, como colono com direito a parte da produção. E o interessante é que grande parte dos miseráveis e incultos colonos que se dispunham vir, não tinham recursos e recebiam um adiantamento pago através de desconto do rendimento da produção, acrescido de juros, o que os tornavam uma espécie de escravos brancos muito mais baratos do que os negros, já que o proprietário das terras não tinha obrigação de alimentar e vestir os colonos. Assim, alforriavam os escravos para ficar com os colonos, ganhando em troca, o branqueamento da sociedade, embora em grande parte os europeus não tivessem habilidade suficiente para o cultivo que tornou alguns ex escravos colonos.

Para justificar a troca dos escravos por colonos, era utilizado o argumento da indolência e falta de capacidade intelectual da "raça negra", daí o mito da indolência dos brasileiros, na maior parte mestiços mesmo que livres.

O ex escravo alforriado era colocado em liberdade sem a mínima condição de sobrevivência e vagava executando trabalhos subalternos, pedindo ou roubando para sobrevivência, vivendo às escondidas e mentindo sobre sua situação de desocupados, já que esta condição era ilegal e poderiam ser presos, daí a fama de malandros. Estas pessoas mais pobres viviam em condições sub humanas em favelas e cortiços.

Ainda hoje muitos vivem em favelas e cortiços, chamados eufemisticamente de "comunidade" (que deveria ser qualquer conjunto habitacional). São, na maioria, pessoas honestas e trabalhadoras mas sem condições financeiras vivendo em locais onde existem milícias, negócios ilegais e tráfico de drogas

As comunidades, ainda hoje, são considerados locais onde habitam pessoas de raças inferiores que não têm os mesmos direitos das elites, que habitam locais diferenciados e confortáveis sempre defendidos pelo Estado. 

Nunca se deu trégua ao combate à indolência e malandragem dos brasileiros obrigados a conviver com traficantes. Ameaçados tanto pelas milícias ilegais  quanto pela polícia, que defende as pessoas das elites. 

Às vezes existe o amparo às raças inferiores para melhor proteção das elites quando em governos chamados progressistas. Outras vezes, como agora, existe tão somente a repressão. 

Quando nos reconheceremos como uma só raça?


segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Ascensão dos mitos no Brasil de hoje

Normalmente, em tempos de crise, o que o pensamento de matriz marxista ou as esquerdas acreditam, é que haverá o reconhecimento da exploração das classes dominantes e a adesão às idéias de matriz socialista. Mas esta não é uma verdade absoluta. A extrema direita, por vezes, tem argumentos que extrapolam o pensamento de matriz socialista, o que explica a ascensão do fascismo na década de 30 e, de novo, nos tempos atuais.

A classe média baixa, por estar acima dos miseráveis, se julga mais próxima das elites e a estas se junta para doutrinação das classes mais baixas, tendo como argumento o apelo à defesa abstrata da família e da nação através da "defesa dos costumes e da ordem", o que leva à xenofobia e ao preconceito.

No Brasil, tivemos outros elementos para a argumentação da "defesa dos costumes e da ordem".

Em primeiro lugar, tivemos a concessão, por parte da elite, da tomada do poder por parte se setor progressista. Progressista mas não de pensamento marxista, podendo, no máximo, ser considerada uma social democracia de viés liberal, que foram os governos do PT. Concessão esta que teve um prazo de validade que vencido desencadeou um processo de retomada do poder pela aparente via democrática embora não tenha tenha deixado de ser golpe, utilizando-se do judiciário para desacreditar não só o PT, mas todos os partidos mais à esquerda do espectro político juntando-os em um só saco com carimbo de PT, embora houvessem diferenças abissais entre tais partidos. Acrescente-se a isto, a campanha midiática massiva para convencer a maioria da população da corrupção de tais partidos que se deixaram colocar neste saco comum com carimbo de PT.

Embora as elites consigam manobrar as massas, o povo não é ignorante e percebe toda a manobra efetuada pelo judiciário e pela mídia fazendo com que se desacredite não só a classe política como um todo, mas também a justiça. Está preparado o terreno propício para a instalação de regime de extrema direita.

Se a mídia e o poder judiciário esperavam pelo retorno da política anterior ao PT, com PSDB e DEM, se enganou.

Tivemos a ascensão de quem se denominou "defensor dos costumes e da ordem". Entra em campo a "Liga da Justiça", que nada tem a ver com o direito; pelo contrário; temos agora justiceiros que condenam sem necessidade de julgamentos que passam a ser considerados inócuos. 

De um lado, um juiz condena um ex-presidente com base em "fatos indeterminados", com apoio explícito e implícito dos tribunais superiores em uma franca agressão ao Direito. De outro, temos a defesa da família, em uma cruzada contra a doutrinação de nossos filhos menores de teorias de permissividade sexual, em escolas públicas, que nunca existiu. Assim, com base em mentiras, apelou-se aos sentimentos de defesa da família, da pátria e de Deus por parte da população que, com sede de vingança contra uma política corrupta e um direito injusto, resolveu por fim a este estado de coisas através dos justiceiros que atuaram em conjunto para a instalação de um regime de extrema direita fascista, preconceituoso e retrógrado não por culpa do povo, mas pela exploração dos sentimentos intrínsecos inerentes ao ser humano. 



Leitura recomendada:
Psicologia de Massas do Fascismo
Livro por Wilhelm Reich

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O totalitarismo da esquerda de novo

É uma constante o velho chavão de que no Brasil, os comunistas estão tentando dar um golpe e tomar o poder. 

Este argumento é mais presente quando fazemos analogia do candidato da extrema direita com fascismo, quando procuram contrapor ao fascismo o comunismo argumentando que na União Soviética, China e Coréia do Norte, existiram crimes de Estado contra a sociedade.

Nem todo fascista é nazista mas o nazismo é fascista, inspirado na Itália de Mussolini. Tivemos regimes fascistas que perduraram, como, por exemplo, na Espanha e em Portugal e em nenhum dos dois países houve perseguição e morte aos judeus. Todos, entretanto, foram totalitários.

Se todos os governos fascistas foram totalitários embora tenham cometido mais ou menos agressões aos direitos humanos, o mesmo não podemos dizer de partidos comunistas, que não se restringem a países totalitários. Na França, diversas vezes membros do partido comunista francês foram indicados como chefes de Governo ou de Estado. O mesmo ocorreu na Dinamarca, na Grécia, na Áustria e em outros países, onde foram indicados, fizeram o governo e foram substituídos por pessoas de outros partidos. Temos assim, partidos comunistas que atuam democraticamente.

Conforme dissemos, alguns países fascistas cometeram mais crimes contra os direitos humanos, como a Alemanha, indubitavelmente a que maior atrocidade cometeu, e outros, como Salazar em Portugal ou Franco na Espanha, cometeram crimes contra os direitos humanos em menor intensidade. Da mesma forma, temos países comunistas que cometeram ou que ainda cometem crimes bárbaros contra os direitos humanos.

Capital são bens escassos e qualquer regime capitalista faz com que o detentor do capital procure pagar o menos possível a um exército de dependentes alijados da propriedade e compele os capitalistas a travar um combate entre si procurando acumular cada vez mais capital em uma guerra fratricida que tem como único objetivo o acúmulo e a concentração de riqueza. Esta luta produz fome, doenças e morte de milhões. Estas mortes são aceitas, entretanto, como fatalidades naturais, quando, ao contrário, são causadas pela apropriação ou desapropriação de meios naturais pelos capitalistas assim como acontecia aos suseranos na antiguidade.

Quando se atribuem milhões mortos pelo comunismo, na realidade se faz referência à violação de direitos humanos em lutas fratricidas como na União Soviética de Stalim, que na disputa pelo poder eliminou muitos comunistas, assim como ocorre em outros tantos regimes não comunistas nem fascistas que, muitas das vezes são aceitos pelos capitalistas por questões de estratégia no afã de acumular ainda mais riquezas independente no número de mortes.

A associação dos partidos de esquerda em geral com países totalitários é uma propaganda genérica que tenta (e em muitos casos consegue) convencer as pessoas a se aliar a seus algozes quando deveriam ser encontradas formas de equalizar oportunidades para eliminar a exclusão social, mas para este tipo de iniciativa, se utilizam exemplos estapafúrdios de totalitarismo como se os partidos de esquerda no Brasil estivessem arregimentando combatentes para uma guerra civil, o que não é verdade, já que houve, em passado recente, governos de esquerda democráticos.

Não deixem convencê-los de que o melhor é o fascismo, pois este será sempre totalitário e antidemocrático.

domingo, 30 de setembro de 2018

O perigo do "coiso" fascista - Origens históricas e o Brasil de hoje

Quando eu digo que o "coiso", o candidato da extrema direita, é fascista, não é utilização de argumento dialético: é uma constatação histórica dos princípios e da filosofia fascista e, particularmente, nazista.

Em 1929 houve a grande depressão, que causou uma crise mundial e a Alemanha, pelo fato dos encargos impostos pela derrota na primeira gerra, que via a crise de forma muito mais aguda, com desemprego em massa, o que fazia com que os comunistas ganhassem terreno junto à sociedade. Nesta época havia na Alemanha o regime nacionalista que se opunha ao liberalismo. O temor da alta burguesia alemã que considerava o sistema democrático ineficaz fez com que esta burguesia, com apoio do clero conservador, passassem a apoiar extremistas de partidos como o Nazista, que era anti liberal e anti comunista.
No Brasil de hoje, animados pelas atitudes anti-sociais do governo Temer, a alta burguesia deseja a continuidade deste tipo de governo que oprime a sociedade lhes tirando direitos e que oferece apoio aos empresários. Conservadores aproveitam para tirar partido e negam o ideário liberal como, por exemplo, os "Direitos Humanos" para promover quebra do Estado de Direito. A semelhança com o Brasil de hoje não é coincidência.

Hitler foi eleito em 1932 chanceler, tomou o poder de forma absoluta e, comprometido com uma política de privatizações, promoveu a venda de bancos, ferrovias, empresas de mineração, estaleiros etc. Vendeu, por exemplo, a Deutsche Reichsbahn, companhia de ferrovias e a Gelsenkirchen Bergbau, empresa de mineração que dava ao governo controle de um grande conglomerado de siderurgia além dos bancos públicos. Assim, houve apoio de empresas como a Krupp, empresa de aço e armamentos; a IG Farbem (Bayer), indústria química.
Qualquer semelhança com o Brasil de hoje, não é mera coincidência.
Houve a perseguição aos judeus, que constituíam uma poderosa classe média. O racismo, na realidade, era uma forma de criar um bode expiatório para o desemprego em massa. Os sindicatos foram acusados e banidos da Alemanha, sob alegação de corrupção. A consequência eram menos direitos trabalhistas contra a promessa de mais empregos. Assim criaram-se culpados para extinguir direitos trabalhistas e reduzir encargos com empregos. Mais tarde foram escravizados judeus e estrangeiros originários de campos de concentração. O partido comunista foi extinto no primeiro dia de governo.
Qualquer semelhança com o Brasil de hoje, não é mera coincidência.

Cuidado, Brasil, as afirmações de fascismo contra o discurso vazio de pessoas de extrema direita como o "coiso", não é acusação dialética: é um fato histórico, cujas consequências poderão ser nefastas para todos nós com possíveis repercussões que irão além de nossas fronteiras, daí o interesse internacional na campanha #EleNão.


Fontes:
"https://super.abril.com.br/historia/os-aliados-ocultos-de-hitler/"
"http://www.ipea.gov.br/participacao/noticiasmidia/direitos-humanos/1023-como-os-capitalistas-financiaram-o-nazismo-de-hitler-e-o-fascismo-de-mussolini"
"https://pt.wikipedia.org/wiki/Ascens%C3%A3o_de_Hitler_ao_poder"
"https://www.causaoperaria.org.br/acervo/blog/2017/08/27/hitler-pioneiro-das-privatizacoes-e-do-neoliberalismo-1/#.W7DE7GhKjIU"

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

O Brasil pós fascismo - Uma visão do futuro

A comida pesada à noite me provocou um pesadelo, onde me vi em pleno mandato do coiso fascista em 2028. 

Sim, 2028, pois como ele mesmo (o coiso fascista) disse na TV (todas as TV's são controladas pelo Estado), "alternância de poder é o cacete" risos dos apresentadores e da platéia e muitos aplausos (o último que não aplaudiu uma piada dele desapareceu e não se sabe onde foi parar).

Sou sustentado por um irmão, que aderiu ao regime fascista e é funcionário público que vive bem, pois não existe mais pagamento de aposentadoria, assim como não há também assistência médica pública. Só existe assistência médica privada, pois segundo o padrinho (antes era mito mas mudou para padrinho) o Estado não pode ficar sustentando vagabundo que não tem renda. E são todos empreendedores; não existem empregados e patrões.

Existe a classe capitalista, que são os grandes empresários e banqueiros; os profissionais liberais, que são os médicos, engenheiros e advogados, a maior parte de famílias de empresários e banqueiros, pois não existe mais ensino público, que foi extinto para não sustentar vagabundos sem renda (cada um paga seu curso e, quem não pode pagar, vai ser trabalhador chamado de pequeno empreendedor, que são prestadores de serviços subalternos); os funcionários públicos, escolhidos à dedo via indicação; os milicianos, que fazem a segurança de empresas e de pessoas, e a população em geral. 

Todos pagam impostos para que o Estado possa manter sua enxuta máquina que cuida para que haja infra-estrutura dirigida às grandes empresas que, conforme diz o "padrinho", são o sustentáculo da nação.

Para ser pequeno empreendedor, é necessário comprovar uma colocação junto a um contratante. Feita a comprovação, o Estado providencia o cadastro do empreendedor, que pagará um percentual de imposto que diminui conforme aumenta a renda; ou seja, quem ganha menos paga um percentual maior, pois não se pode onerar a grande empresa que é o sustentáculo da nação. Desta forma, fica muito difícil algum pequeno empreendedor pagar seus estudos e sua segurança. Sim, pois a segurança não é mais feita pelo Estado. Existem grupos que não têm direito a ingressar nas escolas, como negros e índios, além de outras minorias. Ser gay é crime sujeito à pena de morte.  Mas aparentemente estão todos muito satisfeitos, pois não existe contestação. 

A segurança é privada. A princípio, cada um se defendia com sua arma. Mas este sistema foi aperfeiçoado e quem pode, contrata sua própria milícia, uma milícia comunitária ou se defende com sua arma. Este sistema criou milícias de grandes empresas que resolvem as questões de segurança e impõem territórios e clientela para cada um conforme o seu poderio bélico, com mediação do Estado. 

O "padrinho" tem as forças armadas que garantem a segurança do Estado e a Justiça, que são ele mesmo. Além da segurança das forças armadas, o "padrinho" tem seu staff, que são os funcionários que garantem a manutenção do Estado (ele mesmo) cuidando, além da segurança, o combate a outros crimes como a sonegação de impostos, cuidam da propaganda (canais de rádio e TV são supervisionados por censores para garantir a família e o Estado), supervisionam a religião oficial (existe apenas uma religião, própria do "padrinho", que é um apanhado de teorias de igrejas neopetencostais e teoria da prosperidade), e os que combatem a subversão (qualquer tipo de contestação é subversão). Isso além das forças coercitivas associadas às Forças Armadas.

Notei, no meu sonho, que não existe mais corrupção. Todos demonstram admiração pelo sistema e são fanáticos pelo "padrinho". Uma maravilha que não durou mais porque acordei.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

O Golpe de 2016

O golpe


Aproveitando-se das manifestações em junho de 1983, interesses econômicos financiaram os “manifestoches”, que tiveram infraestrutura e logística, com convocações e divulgação pelos meios de comunicação.
Com aceitação popular (pelo menos de percentual expressivo da população), ficou mais fácil encontrar uma motivação, mesmo que frágil, para o afastamento da presidente. Para convencer os mais críticos, foram utilizados argumentos que procuraram isentar de interesses os juízes, procuradores e investigadores argumentando que os corruptos que deram o golpe seria pegos pelas investigações de corrupção (primeiro a gente derruba o governo, depois pega o restante) e, para dar credibilidade a este argumento, na seleção de vazamentos das investigações sigilosas, vez por outra incluem os golpistas nas denúncias, sem que estes sejam presos ou processados e, se processados, os processos sejam travados na denúncia ou em juízo.


Os golpistas e seus interesses


Os golpistas são os que não foram eleitos e que tentaram, de todas as formas, primeiro anular a eleição e depois a deposição do governo para estabelecer uma política conveniente aos seus patrocinadores: grandes empresas (inclusive estrangeiras) com interesses no petróleo e na diminuição de sua carga tributária e obrigações trabalhistas, empresas de comunicação visando ampliar seu domínio, empresários interessados em manter relações promíscuas com o poder público.
Os golpistas tiveram como aliados membros corruptos do legislativo, devidamente remunerado, que travou as ações do governo por um lado e, por outro, estabeleceram as “pautas bombas”, visando inviabilizar de todas as formas o governo, já desacreditado por ter adotado uma política diversa da que foi proposta na campanha eleitoral.
O grande interesse dos golpistas, todos corruptos, era (e é) comprometer o PT e se livrar de acusações, como de fato aconteceu.

A continuidade do golpe e o triplex

Não faria o menor sentido dar o golpe em um mandato e perder as próximas eleições; assim se procura perpetuar o golpe através da anulação de seus adversários, dos quais o que maiores chances de se eleger é Lula.
A lava jato, desde antes do golpe procurava desesperadamente alguma prova ou indício que pudesse utilizar como acusação contra Lula. Assim passou-se a torturar os envolvidos na lava jato para que denunciasse Lula. A tortura envolvia qualquer tipo de delação, até que surgiu a história do triplex, uma quota de um condomínio adquirido há bastante tempo que foi cair no estoque da OAS, que tentou vender uma unidade modificada para triplex para o ex presidente, que não adquiriu o tal imóvel.

A acusação e a condenação

A competência para julgar a questão do triplex, seria São Paulo. Entretanto, o juiz Moro aceitou a denúncia de que obras efetuadas no imóvel seria fruto de propina ligada a contratos específicos da OAS com a Petrobras e transferiu a competência para Curitiba. Mais tarde, na condenação, admitiu que os tais contratos não tinham vinculação direta com a acusação, que sofreu diversas alterações no curso do processo, dificultando a defesa.
Não se confirmou a posse do imóvel, que foi visitado uma única vez por Lula e duas por sua esposa. As testemunhas arroladas não comprovaram a intenção da transferência do imóvel. A condenação se deu pela possível intenção da transferência do imóvel por favorecimentos genéricos não definidos. Vemos que a condenação não tem vinculação com a acusação.
Numa tentativa de justificar o absurdo de uma acusação de corrupção onde milhões de dólares são trocados por alguns reais, chegou-se ao absurdo da supervalorização das tais "melhorias", incluindo até um elevador inexistente, tudo isto apoiado pela imprensa interessada na condenação, que hoje se desfez com a invasão do apartamento pelo movimento MTST, que mostrou a precaiedade do apartamento e a inexistência de qualquer benfeitoria.
Mas a condenação existiu. E com a anuência das instâncias superiores. Tanto que foi julgado antes do TRF 4 receber o recurso, já que o juiz, antes de ler a condenação, já declarou que esta era tecnicamente irretocável.

Conclusão

Vemos que estamos em um estado de exceção onde a Lei é interpretada de acordo com as conveniências políticas e que não será permitido que partidos progressistas ou de esquerda tenham vitória nas eleições que só ocorrerão caso esteja garantida vitória dos adeptos do golpe.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Comunidades da Periferia, Quilombos e o Fantástico

Década de 60 do século XVIII no Brasil. Um senhor de escravos utilizados, em sua maioria, na plantação de cana de açúcar, denuncia a fuga de um deles, que resolveu ir para um quilombo próximo como ato de resistência à escravidão. Foi exigida sua devolução vivo ou morto para que sirva de exemplo para os demais, mobilizando-se capitães do mato em seu encalço. O escravo foi devolvido morto com requinte de crueldade. 
Diante da morte do escravo fujão pelas forças policiais e da possibilidade da insurgência dos demais escravos, espertamente o senhor do escravo morto e os das fazendas vizinhas, se solidariza com os demais escravos, inclusive os das propriedades vizinhas, chegando ao ponto de convidá-los à casa grande para manifestar sua solidariedade, culpando os habitantes do quilombo pela sedução do falecido, o que levou ao seu assassinato. Comovidos com a solidariedade, os escravos deixam as senzalas e vão até a casa grande manifestar sua dor e seu pesar, participando do convescote de desagravo à ação dos quilombolas acusados de persuadir os comportados escravos à fuga trazendo tanta dor e desgraça aos que se deixam levar.
Os escravos manifestaram sua solidariedade aos seus senhores.

Ano de 2018. Uma favelada estuda, se forma, tem título de doutorado e se mobiliza contra a sistemática perseguição ao seu povo, vítima de preconceito, constantemente dizimados, assassinados por pertencer a uma classe considerada como "inferior", sem que sejam sequer investigados crimes sistematicamente cometidos. Sua ação é considerada um insulto às "pessoas de bem", isto é, às pessoas com recursos financeiros, os capitalistas e seus serviçais mais próximos, seus defensores melhor remunerados, mais conhecidos como "classe média". 
Foi exigido que se fizesse alguma coisa para parar com a resistência desta favelada e encarregados da ação os capitães do mato urbanos. A favelada foi assassinada com requinte de crueldade.
Diante da morte da favelada de forma ostensiva como aviso aos demais favelados insurgentes, a população de todas as periferias urbanas se rebelou, com a possibilidade de uma revolta de grandes proporções. 
Foi então que um dos membros capitalistas das "pessoas de bem", o das comunicações, espertamente manifestou sua solidariedade aos membros das comunidades das classes "inferiores" e os convidou para o Fantástico, acusando os manifestantes insurgentes pela responsabilidade do crime barbaramente cometido contra sua representante.
Comovidos com a solidariedade, familiares, amigos e correligionários vão ao programa de televisão manifestando sua indignação contra os ativistas insurgentes.
Os representantes das comunidades da periferia manifestaram sua solidariedade aos capitalistas (seu senhores).

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Construindo e demolindo mitos e heróis

Temos tendência a acreditar em mitos e heróis desde que sejam criados ou apoiados pela ditadura midiática oficial, que são algumas empresas formadas por pessoas gananciosas com fortes interesses empresariais.

O mais recente mito no qual acreditamos há pouco tempo foi: “primeiro tiramos a Dilma, depois tiramos o restante dos corruptos”. Hoje pouca gente se dá conta da falácia da afirmação porque o combate à corrupção saiu da pauta de quem a veiculava por não interessar mais. Em nome do combate à corrupção inexistente, saiu a Dilma sob alegação fabricada e fantasiosa de “pedalada fiscal” (justamente pela falta de argumentos que justificassem corrupção) e que no fim, depois do impedimento, não se revelou real (conforme perícia), entraram corruptos contumazes pouco afeitos a práticas democráticas e não saiu ninguém mais em nome deste combate à corrupção. Conforme disse um dos membros da quadrilha que se instalou no poder, o plano foi feito com a participação do Supremo Tribunal Federal. Hoje o que vemos são prescrições por falta de apreciação e arquivamento de processos de corrupção, mas a mídia não dá enfoque e nós não nos preocupamos mais com isso.

Para que o plano de retomada do poder pela elite dominante e pelo fim da democracia fosse possível, foram criados heróis. Joaquim Barbosa, que assumiu o poder por ser negro, etnia discriminada e relegada a posições subalternas, fez como Chica da Silva, figura histórica que se casou com um rico português, foi alforriada e passou a agir como “senhora de escravos”. Joaquim Barbosa foi eleito herói, cumpriu sua missão e teve a perspicácia de sair após cumprida a tarefa antes de ser completamente destruído.
Agora tivemos o Sérgio Moro, a serviço das empresas estrangeiras, treinado nos Estados Unidos, principal país interessado, desmontando a indústria nacional, facilitando a entrega do pré-sal e desmonte da indústria de construção pesada brasileira. Agiu ao arrepio da Lei e, amparado pelos seus superiores, o STF, que autorizou sua atuação, com apoio da mídia que tinha interesse em derrubar a democracia e estabelecer um regime de exceção agiu enquanto perseguia alguns partidos. Sua missão acabou e agora, está sendo defenestrado. Ao divulgar comportamentos pouco éticos e ilegais inicia-se um processo de desmonte do ex-herói até que elejam um outro em seu lugar.

Nós, pobres mortais, continuamos acreditando e vamos apoiar os planos de nossos ganaciosos algozes como gado obediente que somos.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Motorista de aplicativo - Empreendedor ou escravo?


Um golpe recorrente e antigo é a "pejotização" de empregados, que consiste em convencer o trabalhador que, se tornando "pessoa jurídica", irá ser dono de seu próprio negócio, sem ter vínculo com a empresa onde trabalha, podendo prestar serviços a quem bem entender, com liberdade para negociar preços e melhorar seus rendimentos. Normalmente o pobre coitado acredita e cai na armadilha.
Conheci um caso de um ferramenteiro em uma indústria de plástico injetado que foi convencido a montar sua própria empresa e prestar serviços para a empresa onde trabalhava. O coitado passou a arcar com os custos da montagem das ferramentas, não tinha condições de prestar serviços a mais ninguém e devido às dívidas assumidas, não conseguia negociar o preço dos serviços prestados, passando a a trabalhar em horário estendido sem direito à horas extras, décimo terceiro salário ou férias. 

Uma nova modalidade deste golpe são os aplicativos de transporte particular individual de passageiros ensaiando assumir também transporte de cargas. E os aplicativos partem de "verdades" para convencer seus "parceiros".

Dirija quando quiser - Verdade relativa - Você pode escolher o horário no qual irá ligar o aplicativo. Se passar muito tempo sem trabalhar, terá menos viagens e menos chances de faturar, é claro, além de diminuir a quantidade de chamados atendidos, colocando em risco a própria atividade, como veremos a seguir.

Critérios de avaliação  - Possibilidade de descredenciamento - Cada corrida pode ser avaliada pelo passageiro e deve, obrigatoriamente, ser avaliada pelo condutor. A avaliação é feita através de estrelas, indo de uma a cinco estrelas. Esta avaliação é medida pela média de corridas devendo ter mais de 4,6 de média e o critério de cálculo é feito sem muita clareza (objeto de algumas ações judiciais por parte dos motoristas parceiros). Além da média, outros motivos podem ocasionar o descredenciamento: baixa aceitação de corridas, quando o motorista não responde a chamado de passageiro ou cancelamento alto, quando são canceladas muitas viagens, seja lá por qual motivo for, não vem ao caso.
Significa dizer que a única possibilidade de recusar uma corrida, é desligando o aplicativo. Uma vez ligado, você é obrigado a atender qualquer chamada mesmo que distante e ir a qualquer lugar determinado pelo passageiro independente de critério de segurança ou das condições das vias a ser percorridas.
Neste ponto, vemos que a primeira afirmação (dirija quando quiser) não é verdadeira, uma vez que o número de dados interfere no cálculo da média, ou seja, se temos poucas corridas, uma nota baixa ou a baixa frequência de aceitação ou alta de cancelamento terá maior impacto negativo na média obtida, principalmente quando não existe clareza na forma de cálculo efetuado.

Comunicação de sentido único - Verdade distorcida - Aparentemente existe uma perfeita sintonia entre os administradores do aplicativo e os motoristas usuários com comunicação instantânea, o que não deixa de ser verdade. Só que a comunicação é feita de forma automática em apenas um sentido, dos administradores do aplicativo para os motoristas. No sentido inverso, a comunicação é feita através de solicitações efetuadas através do aplicativo respondidas por e-mail, sem possibilidade de comunicação direta, deixando clara a situação de dependência e subordinação do motorista parceiro.

Receita Bruta como base dos cálculos - Verdade omitida - Todos os cálculos são baseados na receita bruta, sobre a qual é calculado um percentual que o "parceiro" paga pela utilização dos serviços do aplicativo. Note que quem "contrata" o aplicativo é o motorista parceiro e não o contrário. Desta forma, se descaracteriza o vínculo empregatício e a contratação do aplicativo é apenas um dos custos dos serviços prestados pelo motorista ao passageiro. Os impostos também são calculados sobre a receita bruta, como todos os demais impostos indiretos (que incidem sobre o produto ou serviço e não sobre a renda) cobrados no Brasil.

Não há formação preços por margem - Possível perda de investimento - Quem estabelece o preço é o aplicativo, em franca contradição com a ideia de contratação dos serviços do aplicativos pelo motorista parceiro. E a política de preços não leva em conta o resultado; apenas a receita bruta. 
Aumentos de combustíveis e lubrificantes são ignorados pelas empresas de aplicativo, já que as taxas são cobradas pelo valor bruto das corridas, reduzindo a margem dos motoristas a cada aumento verificado e, pior que isso, recentemente houve redução do valor cobrado dos passageiros em bairros mais distantes de grandes cidades em nome da "Mobilidade Urbana", para felicidade dos passageiros (que irão pagar menos) e dos próprios aplicativos (que irão faturar mais). Aparentemente, se antes visavam ocupar lugar de táxis, parece agora visar o mercado de passageiros do transporte coletivo de massa, já que se dois passageiros utilizarem o aplicativo, dependendo do percurso, ficará mais barato do que pegar ônibus ou metrô.

Impossibilidade de desistência - Caminho sem volta para alguns - Alguns motoristas, quando podem, saem fora deste negócio. Mas muitos não têm esta possibilidade quando o motorista, para atender as exigências dos aplicativos, para evitar baixas avaliações dos passageiros e acreditando na propaganda dos aplicativos, investem em carros mais novos contraindo dívidas de longo prazo e são obrigados a, cada vez mais, estender seu período de trabalho, havendo quem trabalhe mais de 16 horas por dia para conseguir o mínimo para pagar a dívida assumida e sobreviver com cada vez maior dificuldade.

As empresas que trabalham com aplicativos são multinacionais poderosas que chegaram para modificar conceitos sobre transporte urbano, pressionando autoridades e forçando o caminho com um poderoso lobe atuando sobre autoridades governamentais. O motorista é uma pessoa física com quase nenhum recurso e sem condições de sequer pensar em negociar com as poderosas empresas que impõem determinações visando sempre seu próprio lucro, sem preocupação com os que chamam de "parceiros", que não conseguindo se livrar da "parceria", é obrigado  a trabalhar cada vez mais em condições cada vez piores.







sexta-feira, 31 de março de 2017

A empresa, o empresário e uma nova categoria


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O empregado agora se transformou em empresário.

Uma piada. De mau gosto, diga-se de passagem.

O empresário é aquele que detém a propriedade dos bens de produção, gozando, diretamente, ou por meio de seus representantes, dos poderes relacionados à gestão da empresa, ou seja, de uma organização da produção na qual se combinam os preços dos diversos fatores da produção, trazidos por agentes distintos do proprietário da empresa, visando a vender um bem ou serviços no mercado, para obter a diferença entre os dois preços (preço do custo e preço de venda) o maior proveito monetário possível.

Os bens ou meios de produção são utilizados pela empresa (de propriedade do empresário) para produzir lucro, ou seja, a diferença entre o custo e o preço de venda de um produto ou serviço e, entre os meios de produção, está a mão de obra utilizada na produção.
 
Esta mão de obra é fornecida por empregados que são caracterizados pela subordinação, sem autonomia para escolher a forma como será realizado o trabalho, sujeito às determinações do empregador e remunerado através de salário e com direito a outros benefícios indiretos. A empresa, tem o conceito de instituição que explora uma atividade econômica que perdura no tempo, fornecendo à sociedade bens e serviços e assumindo uma função social tanto para com a comunidade quanto para com os colaboradores, sem que se olvide a geração de lucros. O empresário é o responsável pela gestão dos recursos de uma empresa e sua destinação.

A colocação de que os trabalhadores são transformados em empresários é absurda. Se são trabalhadores, não podem ser confundidos com empresa e muito menos com empresários. São empregados cujos direitos estão sendo suprimidos, transformando-se em algo pior do que escravos, na medida em que, para os escravos, os "senhores" tinham certas obrigações como alimentação e alojamento. Isto demonstra uma visão obtusa e retrógrada que retrocede a tempos imemoriais.

Lamentável.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Orquídea de Braço

Hoje eu digo que seguro o cigarro de lado, ela me segura pela:

_Esquerda.
_Sim, é bonita.

Disse que fuma por aí, já andei investigando os jardins de Lygia. Prossegui nesse tom que a gente tem quando quer falar que gosta e porque "Está apaixonado e falando tudo".

_ Não, Mônica, não estou apaixonada.

Aparece-me pela direita dizendo que a música brega tem um quê de confessar. Acendo assim mais um cigarro de palha que disse não gostar, de palha, cortada no último domingo.

_ Lógico que quer alguma carta_ Mônica sempre completa.

_ Mas prefiro ser romântica, estragar o computador do meu pai, arrancar os sete Fautos, ou Faunos, ou já não sei mais em que língua falar.

_ Funk, eu sei que ela ouve funk e gosta de se divertir.

_ Talvez...

A prova que não se está apaixonado, a prova que não quer comer nem a beira do Master Chef. Prossigo em silêncio pensando em seu cachorro, o mesmo cigarro parado de lado, a mesma rima, a orelha direita coça.

_ Prefiro política.

_ Ah! Sei que tem marte em...

_ ... Gêmeos.

Meu retorno em sagitário, mas hoje é quinta ainda e a balada nem sei em quantos 10 anos vai parar.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Sintético versus Analítico



Quando elaboramos um relatório apresentação, um parecer, um planejamento, avaliação ou relatório devemos enunciar e apresentá-lo de forma sintética ou de forma analítica?

Um questionamento pertinente, já que, se elaboramos um trabalho extenso, corremos o risco de, ou não ser lido, ou, se lido, não ser devidamente compreendido; se sintético, corremos o risco de simplificar demais e não despertar o interesse e a compreensão completa do assunto tratado.

Na minha opinião, temos dois passos distintos:
  • Primeiro, temos que elaborar o documento - A elaboração implicará na análise do assunto que trataremos o que significa abordagem o mais abrangente e detalhada que pudermos, pois se vamos tratar do assunto em questão, é imprescindível conhecê-lo o mais profundamente possível.
  • Segundo, temos que preparar a apresentação - A apresentação deverá resumir o estudo elaborado de tal forma que seja sucinto sem perder a objetividade e a amplitude.


Não é fácil mas é possível sintetizar em poucas laudas ou através de recursos visuais sem perder o foco e a amplitude com a possibilidade de, se questionados, detalhar melhor o assunto tratado.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Vida de espécies não humanas sob ameaça


Há muito ouvimos sobre as ameaças à vida animal. 

Este planeta já assistiu ao aparecimento, evolução e extinção de espécies. Se tomarmos a trajetória das diferentes espécies, veremos que algumas delas chegou a dominar o planeta por milhões de anos antes de seu declínio e extinção; declínio e extinção provocados por uma série de fatores como alterações climáticas, geológicas ou mesmo o surgimento de outras espécies que superaram e acabaram por extinguir a anterior.
As novas espécies nem sempre "assassinam" as espécies que extinguem. Nem sempre se alimentam da espécie anterior, simplesmente ocupam o espaço antes ocupado por elas provocando seu declínio e extinção, como hoje faz o homem com várias outras espécies não humanas.

A raça humana hoje ocupa a maior parte do planeta. Esta ocupação extingue as demais espécies. Precisamos comer e adquirimos certas preferências alimentares que são poucas. Se enumerarmos as possibilidades de alimentação entre as espécies humanas e não humanas, veremos que, ao contrário do que acreditamos, não somo generalistas mas especialistas, pois a diversidade de nossos alimentos é muito pequena.

Os (poucos) animais utilizados para a alimentação humana têm sua perpetuação garantida. O fato de nos alimentar da carne de uns poucos espécimes animais, garante a estas espécies sua perpetuação. Os demais, não utilizados para a nossa alimentação estão sendo dizimados pela ocupação do solo para a plantação de umas poucas espécies vegetais utilizadas na nossa alimentação. O pior é que quanto mais vegetarianos formos, de mais espaço necessitaremos, arrasando os habitat das demais espécies não humanas e não utilizadas pelos humanos para alimentação, transporte ou como mascotes.

A solução? Sinceramente não sei. Vou continuar comendo muitos vegetais e alguma carne de animais de poucas espécies e não pretendo me sacrificar para salvas as espécies não humanas a não ser que me apresentem uma boa alternativa.

Algumas espécies que dominaram a terra duraram milhões de anos até serem extintas. A raça humana ocupa o planeta a pouquíssimos milhares de anos. Chegaremos a milhões de anos? Não sei... Vamos aguardar a evolução das espécies e depois vemos como irá se comportar o mundo...

Mas se alguém tiver alguma sugestão, por favor me avise. Quem sabe não possamos salvar as espécies de animais não humanos?

sábado, 27 de dezembro de 2014

Evolução: animais criados por e para nós

Foram muitos os animais criados pelo homem. Existe a suposição que o mais antigo deles seja o cachorro.

Um dos terrores da humanidade, desde sempre mas hoje nem tanto, eram os lobos. Acredito que pela semelhança com a própria característica social da raça humana, na medida em que, como os humanos, os lobos têm uma sociedade colaborativa.

Os humanos, individualmente, são espécimes sem a menor chance de sobrevivência, tal como os lobos. A força vem da união e da inteligência que, no homem, se evidencia pela maior capacidade de comunicação entre os indivíduos da raça.

Foi há cerca de 15.000 anos, antes mesmo do homem ser capaz de registrar suas memórias pela grafia, que capturou filhotes de lobo e os domesticou. Não satisfeitos com a domesticação, houveram cruzamentos com outros canídeos como os chacais e coiotes. Nascia aí uma cooperação entre a raça humana e as recém criadas  raças de cães. Diferente dos demais animais criados pelo homem, o cão sempre gozou convívio familiar dos humanos. Ao ponto de merecerem ser enterrados juntos com os seus "donos" e criadores e merecerem destaque como divindades entre vários povos, tal como o Anúbis, no Egito. Foram treinados para a caça e para a guerra. Para a paz e para o convívio. Passaram a merecer um lugar na mesa e na cama dos humanos.

Mas houveram outras criações do homem, como o cavalo, que pouco ou quase nada mudou entre o estado selvagem e o doméstico e o gado bovino.

Existem as raças e espécies de animais domésticos e vegetais criados pelo homem para os mais diversos fins, mas a finalidade maior sempre foi a de proteger o homem, garantir-lhe a locomoção e a segurança e garantir a tão necessária ingestão de proteínas.

Hoje alguns dos criadores destas raças a defendem como se humanos fossem.
Seria a evolução da raça humana?

domingo, 9 de novembro de 2014

A república "bolivariana" e nossos heróis brasileiros

Fico muito triste quando chamam nosso governo e taxam as nossas instituições como "bolivarianas".

Minha tristeza é pelo fato de não termos em nosso país nenhuma figura que se assemelhe, de longe, a Simon Bolívar, que lutou pela independência não só de sua pátria, mas dos povos latino-americanos. Aconselho você a pesquisar mais sobre Simon Bolívar.

Nossa independência nada mais foi do que uma forma de nosso colonizador manter o poder, já que movimentos populares cada vez mais se agigantavam ameaçando a coroa portuguesa. E, depois da independência, assumimos a dívida de Portugal com a Inglaterra, que reconstruiu Lisboa com nosso ouro.

Diriam entretanto os fiéis estudiosos de História do Brasil: mas tivemos o Duque de Caxias! E eu ficaria ainda mais triste.

Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias é o símbolo máximo do nepotismo. Seu pai foi regente do império e nosso Duque de Caxias se alistou com 5 anos e com 15 entrou na Escola Militar (graças à influência de seu pai). Seus grandes feitos foi lutar contra o povo, contra os movimentos populares e a favor do Império. Depois de lutar contra o povo brasileiro, lutou contra a então próspera república do Paraguai, que invadiu o Mato Grosso após o Brasil intervir no Uruguai para estabelecer lá um golpe militar que depôs um presidente constitucionalmente eleito para colocar outro que favoreceria o Brasil. Não satisfeito em lutar contra o povo Paraguaio, arregimentou a Argentina (também favorecida pelo golpista) e o próprio Uruguai, já que o Brasil apoiou o golpe havido por lá. O Paraguai ficou arrasado.

Poderiam ainda citar Tiradentes, o que me causaria ainda mais revolta, pois o coitado do alferes foi apenas um bode expiatório, o único que assumiu a rebelião e que, por causa disso, foi condenado à morte.

Não, minha gente. Na realidade nunca tivemos um herói de verdade, um Simon Bolívar.
Por isso, fico muito trite com a comparação de nosso governo como um movimento "bolivariano". Salve Simon Bolívar! Viva o Brasil e seus verdadeiros heróis: o povo brasileiro!