sábado, 21 de junho de 2014

A ameaça que nos ronda

Quando vejo a disputa eleitoral, noto que está ficando cada vez mais clara as propostas do candidato Aécio para a presidência da república. Com a nomeação de Armínio Fraga para a coordenação econômica de sua campanha,fica clara a ameaça à sociedade e à nação brasileira.

Armínio Fraga foi o autor da declaração sobre as "medidas impopulares" que, entre outras coisas, implicaria na diminuição do salário mínimo. Outra receita é o aumento de juros para conter a inflação. Uma das primeiras medidas quando assumiu o Banco Central no governo FHC, foi aumentar os juros de 25 para 45%, transferindo renda para os grandes credores do governo (naquela época o Brasil era subserviente ao FMI).

Mas não para por aí. A tentativa de privatização da Petrobrás, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal coincide com sua gestão no Banco Central, demonstrando sua tendência privatizante.

Não seria de admirar que Pedro Malan, seu colega de governo volte e ajude nas medidas a favor de bancos como Marka / Fonte Cidam, financiamento do BNDES às empresas estrangeiras para privatizações no mínimo duvidosas e novos acordos com o FMI.

Pense bem no legado de FHC, mentor do candidato Aécio ao Planalto ao escolher seu candidato.

Veja ainda o que diz Miguel do Rosário sobre isto.

sábado, 31 de maio de 2014

O reis da natureza e dominadores da terra

Os vegetais são vistos por mim de uma forma diferente do que a maioria vê.

Os vegetais são seres superiores por várias razões.

A primeira por ter criado o mundo e formado os demais seres vivos, que foram cridos e moldados a partir de nossa primitiva forma de vida.

Em primeiro lugar, eles colocaram no mundo o invólucro de oxigênio através da quebra de moléculas provocadas pela sua respiração. Depois, dando origem a formas primitivas de animais que evoluíram e se encheram a terra que continua a ter como maior número de seres vivos os próprios vegetais.

Em seguida temos que admirar sua forma de reprodução, que tem uma profusão de artifícios sempre criativos, utilizando suas criaturas, os animais, como instrumento para a sua perpetuação. Os vegetais se utilizam de todas as formas de vida para a sua reprodução. Moluscos, peixes, insetos, répteis, aves e mamíferos se julgam donos do mundo mas só existem para a perpetuação dos vegetais, já que, direta ou indiretamente dependem deles para a sua alimentação e os cultivam garantindo sua perpetuação.

Chegamos à alimentação. Todas as outras formas de vida da terra dependem de outras formas de vida para sua alimentação. Todas as outras menos os vegetais, que se alimentam de terra, luz e água.

Assim, não temos como não admirar os verdadeiros dominadores da terra: os vegetais.

domingo, 4 de maio de 2014

Os recursos desperdiçados na Copa do Mundo de 2014

É recorrente a cobrança do direcionamento de desembolsos que, ao invés de serem feitos para a Copa do Mundo, deveriam ser revertidos para melhorar o atendimento à população. Muito justa a discussão, só que deveria ser conduzida de maneira prática, responsável e de forma tempestiva.

É clara a intenção política da discussão. E nossa imprensa assume, de novo, o papel de partido político agindo de forma dúbia e confundindo mais do que informando, deslocando responsabilidades, abrindo discussões atemporais e fazendo apologia à violência. E neste aspecto têm uma atitude dúbia: não abrem mão de se beneficiar dos lucros milionários do evento mas têm interesse em manter pauta negativa defendendo interesses corporativos em relação à política partidária.

A candidatura do Brasil à Copa do Mundo de Futebol foi uma reivindicação e comprometimento do país perante diversas outras nações. Se teríamos ou não o evento deveria ter sido discutido antes da candidatura. Uma vez decidida a aceitação do país como sede, não cabe mais discutir se vai ou não ter copa. O compromisso foi feito pelo país, por todos os cidadãos. A discussão de ter ou não copa é totalmente descabida.

Sempre que se noticia um fato trágico gerado por falha em sistemas públicos, de qualquer natureza, se argumenta que estão sendo gastos 26 bilhões de reais com a copa do mundo, o que poderia resolver a questão se destinados à área em discussão. Normalmente este argumento reflete a opinião de um apresentador de programas populares que ou é ignorante e desinformado ou está mal intencionado.

Com a afirmação acima, parece que se gastou 26 bilhões com a construção de estádios, o que não é verdade, já que esta cifra representa investimentos (e não gastos a fundos perdidos) públicos e privados para todas as obras necessárias para a construção de estádios e obras de infra-estrutura incluindo mobilidade (ônibus, trens, metrôs e melhorias de vias públicas), segurança, saúde, meio ambiente, cultura e comunicação. E o desembolso com infra-estrutura é 65% do total. As obras de infra-estrutura ficarão mesmo depois da copa do mundo.

Tentam também incutir a ideia que o copa  do mundo é um evento federal, quando na realidade os maiores beneficiados serão os estados e municípios que receberão a maior parte dos recursos obtidos através da copa do mundo.

Somente durante a copa serão gastos, somente em impostos, 18,1 (impostos federais, estaduais e municipais) dos 142 bilhões gastos pelos turistas. E aqui cabe a observação de que, se os turistas forem bem recebidos e tratados, teremos uma receita recorrente com o turismo. Se vítimas de ações hostis, nunca mais retornarão. Vemos que, ao fomentar de forma direta ou indireta manifestações hostis, estaremos expulsando a possibilidade do incremento ao turismo, prejudicando o país e não o governo federal.

O que deve, neste momento ser a preocupação da sociedade, é a destinação dos valores arrecadados com o fruto dos investimentos obtidos com o evento. Mas isto não vejo ninguém discutir. A nossa preocupação não deve ser sobre o leite derramado, mas com o cuidado necessário para que não se derrame o leite. Não adianta discutir sobre o que já ocorreu, mas devemos nos preocupar para que possamos colher frutos daquilo que cultivamos.

Veja aqui uma interessante discussão sobre o assunto.





sábado, 19 de abril de 2014

Por que não sou vegano

Outro dia eu ouvi de uma amiga "vegana" crítica sobre o costume de comemorar a páscoa abstendo-se de carne e alimentando-se de peixe. Ela argumentou sobre o sofrimento de um outro ser vivo morto de forma covarde e cruel pelo pescador.

Se estivéssemos falando sobre tradição, concordaria com ela se mantivermos a tradição do Pessach. Mas este não era seu argumento. Ela estava se compadecendo dos animais, poupando-os da morte.

Mas e os vegetais? Estes podem ser cruelmente assassinados? A resposta foi que os vegetais não têm sentimentos e por isso podem ser consumidos.

A resposta de que vegetais, as plantas, são desprovidos de sentimentos carece de fundamento, pois os vegetais têm dado provas de que são seres muito semelhantes (e superiores) aos animais. Dados comprovam a evolução e reações surpreendentes das plantas que reagem sim às agressões. Mais que isto, as plantas vivem em um mundo próprio agredindo e defendendo-se de agressões. Mais ainda, são capazes de comunicarem-se entre si. A agressão a uma planta em um grupo de plantas provocará uma reação de defesa de todo o grupo.

Como vemos, as plantas são seres vivos incompreendidos até há pouco pelos animais. Principalmente pelos de nossa espécie, que se julga a tal, o centro do universo quando, na realidade, esta é uma visão egoísta e preconceituosa, já que nada conhecemos do Universo e seus mistérios. Somos tão inferiores que não somos capazes de sobreviver sem prejudicar outros seres. Ha! Mas eu não como nada de origem animal, diria o vegano julgando-se superior. Mas não se envergonha nem um pouco de assassinar uma alface ainda tenra, no início de sua existência (coitadinha).

As plantas são superiores aos animais, que nada mais são do fruto de sua criação. Somos o que somos graças aos vegetais que, processando o gaz carbônico, criaram durante milênios de existência, o invólucro de oxigênio que nos sustenta. Vivemos às custas da respiração das plantas que nos moldaram a partir de sua evolução, criando peixes, batráquios, répteis, aves e os demais animais, cuja última criação foram os seres humanos.

O Sol e a Água, o Ar e a Terra são os responsáveis pela vida e por isso adorados como um Deus  pelos humanos desde muitos milênios atrás. As plantas as criações mais puras dos elementos. As plantas, na maioria das espécies, não agridem. Sua alimentação é constituída da luz solar  além do gás carbônico, de água e minérios. Algumas das plantas entretanto, utilizam o alimento de outras plantas para sobreviver ou, pela total pobreza do solo, são capazes de se alimentar de seres vivos mas são minoria.

Nós, os animais, sobrevivemos às custas e por causa de outros seres vivos demonstrando nossa dependência e fragilidade. O fato de nos alimentarmos de plantas não é capaz de nos tornar superiores. Pelo contrário: é apenas uma tentativa de alguns seres humanos mostrarem ser melhores do que outros seres humanos, deixando patente a pequenez de nossa existência, tão preconceituosa e triste.

E como resolver isto? Não tem como. Um dia retornarei ao Todo e voltarei a fazer parte do Universo. Para isto terei que suportar e compreender como é pequena e mesquinha nossa existência animal.

Por isso não sou vegetariano: não é possível alterar a minha natureza. Não comer animal não me fará melhor, pois sempre haverá o sacrifício de outros seres vivos para nos manter vivo. O vegano não é melhor que eu e por isso não sou vegano.

Não tenho nada contra os que são: se isto te faz sentir-se melhor, siga em frente mas não tente mudar minhas convicções!

Assista a vídeo sobre o Reino dos Vegetais

sábado, 12 de abril de 2014

Jornalismo de futricas

O Jornal Nacional, da Globo, deu destaque: "avião brasileiro abatido pela Venezuela". A única informação adicional foi que o transpônder estava desligado.

Vamos nos aprofundar neste caso em particular, na medida do possível, pois algumas informações não estão ainda acessíveis:
- Quem comunicou o fato à Força Aérea do Brasil foi a própria Força Aérea Venezuelana.
- As duas forças militares investigam o fato em conjunto.
- O avião partiu do Pará, no Brasil, sem plano de voo aprovado pelas autoridades brasileiras.
- O avião estava com o sistema de comunicação desligado e, portanto, não atendeu a comunicação e as determinações das autoridades venezuelanas.
- Ao que tudo indica, o voo clandestino praticava atividades ilícitas e, nestas condições, na impossibilidade de interceptação, o avião foi abatido pela Venezuela como teria acontecido no Brasil nas mesmas condições.
- São desconhecidos, por enquanto, os ocupantes e o motivo do voo clandestino, investigados em conjunto pelas autoridades venezuelanas e brasileiras.

Qual a intenção de uma notícia sem as informações necessárias para que se tirem as conclusões sobre o fato? E a resposta é óbvia: intrigar, junto à população do Brasil, a Venezuela e, de quebra, acusar as autoridades brasileiras de falta de reação à uma ação hostil da Venezuela. Duvido que seja noticiada a conclusão das investigações que, certamente, será a de que um avião envolvido em atividades criminosas foi abatido pela Venezuela.

É através de fatos como este que vemos como atua os meios de comunicação no Brasil. As atividades políticas transcendem as atividades jornalísticas sem preocupação com o fato ou com a verdade. Apenas intrigas e fofocas, traduzindo a falta de caráter de nossos meios de comunicação que seguem, financiados pelo próprio governo, fazendo o anti-jornalismo com futricas, atuando na demolição da honra e do caráter de alguns "adversários políticos".

Não seria hora de pelo menos democratizar as comunicações no Brasil? Este meu comentário será lido apenas por meia dúzia de curiosos enquanto o Jornal Nacional atinge milhões de pessoas.

Com informações do portal UOL

terça-feira, 4 de março de 2014

Democratas que apoiam ditaduras

A imagem ao lado é o resultado de uma pesquisa feita na Venezuela à respeito da saída de Nicolás Maduro do poder na Venezuela feita pela International Consulting e pela Hinterlaces.

Aqui no Brasil, forças reacionárias de direita têm defendido a queda de Maduro, assim como desejam a queda da presidenta. 

Qualquer semelhança não é mera coincidência. Na Venezuela existe a possibilidade da queda do presidente mediante plebiscito chamado "referendo revocatório" mas, em contrapartida a possibilidade de reeleição é indefinida. No Brasil, existe apenas a possibilidade de uma reeleição para cargos do executivo. Tanto na Venezuela como no Brasil, a falta de atrativos pelo discurso dos opositores do governo não garantem a alternância do poder às oposições, já que só beneficiariam uma pequena parcela da população que teria a possibilidade de usufruir das migalhas distribuídas pelos grandes investidores da elite privilegiada e pelas grandes corporações, na maioria, estrangeiras - os reais interessados na derrubada do governo - deixando a grande maioria da população à mercê da exploração econômica.

Diante da impossibilidade da eleição dos que defendem um regime de direita com viés neoliberal, a minoria, através dos meios de comunicação sustentados por esta elite econômica, fabricam "crises", alegando ser representantes da opinião pública quando, de fato, fazem parte dos verdadeiros interessados, os que pretendem manter os escravos nas senzalas e a casa grande soberana.

Tanto na Venezuela como no Brasil, os governos são acusados de anti-democráticos embora sejam eleitos pela maioria da sociedade. Mas a elite quer um regime baseado na meritocracia onde a casa grande manda e os escravos obedecem. Mas o que fazer se a maioria da sociedade não obedece à casa grande? Tanto lá como aqui tentam um golpe de estado apelando para países que têm interesses financeiros na exploração das riquezas nacionais. Assim, estes "democratas" defensores de uma meritocracia baseada no poder econômico, defendem uma ditadura em nome da democracia da minoria.

Vamos deixar isto acontecer lá e aqui?

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Rolezinho e Resistência - dos escravos, dos trabalhadores, da periferia

O morador da periferia, indo para o trabalho apertado nos trens e ônibus, se comunica com os seus iguais, trocando impressões, estreitando laços e, sob este ponto de vista, leva vantagem sobre os que moram em bairros centrais, que viajam a sós em seus automóveis confortáveis.

Justamente por ser olhado pelos cidadãos como inferiores, como plebeus, escravos e não cidadãos, por defesa são solidários enquanto quem os olha vê os seus iguais como adversários.

E é este o ponto: a solidariedade que ameaça. Existe um pacto social criado para regular as relações entre os cidadãos, feito pelos cidadãos para os cidadãos. Mas o morador da periferia não é considerado cidadão, assim como não eram cidadãos os escravos e os operários. Qualquer tipo de organização oriunda da solidariedade entre os não cidadãos é visto pelos cidadãos como ameaça. Qualquer ostentação organizada pelos não cidadãos é uma ameaça.

Movimentos sociais da periferia são considerados marginais, independente de seu conteúdo artístico ou cultural. Aliás, não são considerados pelos cidadãos como arte ou cultura justamente por ser oriundo dos escravos e plebeus na ótica daqueles que se consideram cidadãos. 

Sabemos que, em Roma, a sociedade era composta pelos cidadãos, aqueles que tinham plenos direitos políticos; pelos plebeus, os homens livres sem direitos políticos, e pelos escravos. Haviam ainda os clientes, aqueles que viviam dos favores dos cidadãos. E a elite de nossa sociedade continua vendo estas mesmas classes sociais, mesmo que não estejamos em Roma. Já foi assim também por aqui, mas a união dos plebeus e dos escravos lhes garantiu direitos políticos que até então não existiam. Passamos, durante longo período, a ter apenas os clientes que se submetiam à classe dominante, já que eram dependentes econômicos dos cidadãos e por isso detentores do poder. Nada mais justo, na opinião dos cidadãos.

Nas grandes cidades, pessoas pobres sempre foram empurradas para a periferia, para lugares que os cidadãos não consideravam bons para morar, seja pela precariedade geográfica ou pela distância. Formaram-se as favelas e as regiões periféricas, sem direito a organização urbana, com transporte precário e infra-estrutura sofrível.

As comunidades das favelas e da periferia, justamente pela proximidade forçada pela falta de espaço físico, passou a conviver. As relações sociais passaram a existir e acabou por se formar uma cultura e as diferentes regiões passaram a trocar impressões,e a compartilhar suas produções culturais e artísticas, facilitado pelo acesso à informática e a uma melhor mobilidade, aliados à atual situação de melhores ofertas de emprego, o que possibilitou este intercâmbio. Passou a existir um orgulho dos habitantes destes locais ao descobrir suas capacidades culturais, possibilitando uma melhor articulação e propiciando traços sociais que os identifiquem. O orgulho de ser membro das comunidades da periferia passou a existir e se acirrar.

Com a ascensão econômica das comunidades periféricas (marginais?), passou a existir interesse comercial na exploração desta classe social. Isto aproximou os habitantes da periferia dos centros comerciais, dos shopping center que passou a ser frequentado por seus habitantes que querem mais. Criaram-se então, para os cidadãos, alguns centros comerciais de luxo, proibidos para os habitantes da periferia, já que seu poder aquisitivo não permite fazer compras nestes lugares luxuosos, como por exemplo o Shopping JK, localizado onde antes havia uma favela, removida para dar lugar a um bairro de luxo e de ostentação. Mas os habitantes da periferia, os plebeus e os escravos queria apenas dizer para os cidadãos: "eu existo e sou parte da cidade". Isto, para os cidadãos, era uma afronta. Mais que isto: uma ameaça, uma invasão de seu domínio restrito e reservado. Não se poderia admitir tal afronta. E assim, não podendo contar com os demais poderes, apelou-se para o judiciário, o último bastião da defesa dos "cidadãos", assim entendida a elite dominante que se reserva o direito de ditar as normas para os demais não cidadãos habitantes da cidade.

O "rolezinho" é apenas a ostentação da periferia dizendo para os cidadãos que esta classe existe e está presente. Que tem capacidade de articulação. Nada mais. E num erro crasso, os cidadãos transformaram uma simples afirmação em símbolo de resistência. Agora o judiciário, que atropelou leis, está mais uma vez posto à prova e corre o risco de ser desmascarado.

Vamos aguardar o próximo capítulo.